Todos contra Casagrande

Os postulantes a substituir o Governador Renato Casagrande a partir de 2023 são vários e como um artigo falando de todos eles ficaria muito grande e cansativo para o leitor, resolvemos avaliar o perfil de três em três, incluindo hoje o próprio governador Renato Casagrande.

Os nomes são ventilados principalmente pelas agremiações partidárias a qual pertencem, quando não pelos próprios, jogando confetes em suas capacidades e experiências em gestão pública, fato natural e legítimo do processo eleitoral.

Dito isto, é aquela coisa, seja candidaturas reais ou virtuais, ninguém quer morrer de véspera, e muitos fazem o jogo de mirar em um alvo, querendo acertar o outro, o famoso “cair pra cima”, muito usual nos meios políticos.

Mas será que todos reúnem musculatura política para a empreitada?

Bom, vamos tentar apresentar os pontos fortes e fracos de cada pré-candidato, e deixaremos sob responsabilidade do leitor e eleitor, avaliar neste e nos próximos artigos que vamos publicar ao longo de todo o ano de 2022.

Renato Casagrande (PSB) 

Político experiente, com vários mandatos em sua carreira, ele conhece bem o jogo, movimentos e os caminhos tortuosos que percorrerá, não pela primeira vez, até o fim das eleições.

Renato Casagrande, em seu segundo mandato à frente do Palácio Anchieta, segue caminhando a passos calculados, mais firmes, rumo a disputa pela sua reeleição ao terceiro mandato como Chefe do Executivo capixaba.

Pontos Fortes 

Casagrande tem hoje o comando e controle absoluto do seu partido (PSB), (Partido Socialista Brasileiro).

De orientação de esquerda, o (PSB) está na mira dos partidos de direita, sendo muito atacado principalmente pela base Bolsonarista, fato este que até o momento não tem atrapalhado os planos do Governador, que até mesmo pelos seus adversários, é considerado como um político de perfil moderado, que nunca tomou posição ideológica radical partidária em nenhum pleito que disputou.

Com esse perfil, ele tem conseguido manter em sua base, partidos das mais diferentes orientações, caso do Podemos, que tem hoje o pré-candidato à presidência o ex-juiz Sérgio Moro. Os partidos (PV), (PCdoB) sempre se mantiveram fiéis ao (PSB) capixaba.

Hoje Casagrande tem como reforço declarado o (MDB), e recentemente até uma boa aproximação com (PSDB), comandado pelo deputado Estadual Vandinho Leite, que passou metade do atual mandato, fazendo críticas ao Executivo Estadual e hoje se uniu a base do Governador. Outro que deve continuar na base é o Avante, só para citar alguns.

O (PP) Partido Progressista, que sempre esteve ao lado do Governador, pode ser que desta vez por força da Nacional, não esteja, isto por que, o deputado federal pelo (PP) no Estado, Evair de Melo, desde o início do seu segundo mandato, já se declarou Bolsonarista, e para complicar esse casamento antigo do (PP) com o (PSB) capixaba, o Senador Cid Nogueira foi nomeado no ano passado como Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência.

Somando os pós e contras, toda essa conjuntura, dá a Casagrande uma grande vantagem sobre seus adversários, facilitado pela manutenção da locomotiva Palácio Anchieta, que agrega gregos e troianos em uma mesma embarcação.

Outro ponto 

Hoje Casagrande é a maior liderança da Esquerda no Estado, e como a polarização entre Esquerda e Direita se acirra a cada dia mais em âmbito nacional, faz com que os partidos de esquerda, que são orgânicos por formação e ideologia, se unam para enfrentar o adversário que os tirou do Palácio do Planalto e tenta a todo custo, enfraquecer suas bases nos Estados.

Então ocorre que, para não serem vítimas da estratégia de guerra “dividir para conquistar”, pelos menos aqui, a esquerda deve caminhar junto para não sofrer um revés dos adversários.

Essa vantagem sob os reais e virtuais pré-candidatos ao governo, estão sendo observadas e avaliadas por todos os partidos e adversários do governador, então, a procura de uma tática para enfraquecer ou atacar os pontos fortes do governo, já se iniciaram faz tempo.

Sim, nós estamos levando em consideração a pré-candidatura ao governo já anunciada do Senador Fabiano Contarato, recém filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), mas hoje ela não será tema de avaliação.

Erick Musso (Republicanos)

Com trajetória curta mais sempre crescente, Eick foi eleito para o primeiro cargo público em 2012, quando se elegeu vereador pelo município de Aracruz.

Ao assumir o mandato em 2013, foi eleito presidente da Câmara Municipal, em 2014 disputou e se elegeu deputado estadual.

Atual Presidente da Assembleia Legislativa, o Deputado Estadual Erick Musso, em seu segundo mandato, já acumula três reeleições consecutivas na Presidência da Ales, o que, para quem é do meio político, sabe que não é uma tarefa das mais fáceis, tendo em vista, que para ser eleito e reeleito por 30 ou a maioria dos 30 deputados estaduais, é preciso um verdadeiro malabarismo e muito jogo de cintura.

Ao assumir o comando da Assembleia Legislativa, segundo poder político do Estado, Musso tem carregado além da responsabilidade, a difícil tarefa de atender tantos interesses e aplainar tantos egos, principalmente por sua primeira condução ao cargo ocorrer já no seu primeiro mandato que se iniciou em 2015.

Mesmo sendo conduzido ao cargo máximo do legislativo capixaba pelas mãos do ex-governador Paulo Hartung, isso não o intimidou diante das várias raposas que têm peso e influência na Assembleia Legislativa e na política capixaba.

Posicionamento 

Hoje, seu mandato lhe confere autoridade e autonomia, o que lhe motivou a atuar no enfrentamento direto fazendo oposição aberta ao Governo do Estado, estratégia que tem colocado seu nome na vitrine do mercado político.

Suas críticas ao Governo tem aumentado o tom e vem se tornando cada vez mais duras, colocando em campos opostos bem distintos os dois chefes dos poderes Executivo e Legislativo.

Outro ponto 

Na independência e segurança da sua cadeira da Presidência da Ales, o jovem deputado, desde 2021, vem mantendo uma intensa agenda de reuniões e articulações com os mais diversos atores e lideranças políticas e empresariais do Estado.

Todo esse movimento feito a luz dos holofotes de eventos públicos e intensamente divulgados em suas redes sociais, é um movimento orquestrado com objetivo de traçar voos mais altos de Musso e seu grupo político.

Um ponto importante a ser superado pelo pré-candidato ao governo Erick Musso, é sua baixa densidade e conhecimento político do grande eleitorado capixaba, que conforme informações de alguns institutos de pesquisa, o colocam no momento, com baixa pontuação no cenário atual.

Pontos Fortes

O Republicanos, foi um dos partidos que mais cresceram nas eleições de 2021, elegendo vários vereadores, prefeitos e vice-prefeitos.

Um dos nomes fortes eleito pelo partido foi o prefeito da capital Vitória, Lorenzo Pazolline, além de ter em seus quadros o campeão de votos pela Câmara Federal Amaro Neto, sendo os dois os maiores avalistas do nome de Musso ao governo.

Outra questão de peso em todas as eleições, é o tempo de televisão e rádio para os programas eleitorais, além do fundo partidário, que exercerá um grande peso como financiador dos grandes projetos de todos os partidos, e o Republicanos tem este bônus extra.

Adifax Barcelos (Rede Sustentabilidade)

Político experiente com uma trajetória vitoriosa em seu currículo, foi elieito prefeito por três vez pela cidade da Serra, entre os anos de 2005/2008, 2013/2016 e 2016/2020.

Em todos os três mandatos de prefeito ele enfrentou o atual prefeito da Serra Sergio Vidigal (PDT), um dos mais respeitados e importantes políticos do Estado.

Audifax tem a seu favor, o fato de ter base forte no município da Serra, hoje ocupando a posição de ser o maior colégio eleitoral do Espirito Santo, além de pertencer a região metropolitana do Estado, onde se concentram 47% dos votos.

A Serra é um celeiro de políticos, sempre elegendo vários deputados estaduais e federais, por isso é considerada umas das cidades satélites com muito peso e influência na balança eleitoral.

Só na cidade serrana estão concentrados 333.601 mil eleitores, o que corresponde a 11,91% do eleitorado capixaba.

Outro ponto 

Audifax tem perfil político arrojado e é bom de campanha. No momento tem se dedicado a rodar o municípios do Estado fora da grande Vitória, para se tornar mais conhecido pela população que não tem tanto contato com os políticos da cidade em torno da capital.

Pontos Fortes

Com uma trajetória vitoriosa em sua carreira, nunca perdeu uma eleição. Até mesmo em 2016 quando perdeu no primeiro turno para o seu arquirrival Sergio Vidigal (hoje prefeito da Serra pela terceira vez), virou no segundo turno e governou a cidade serrana por mais quatro anos.

Outra marca que reforça o currículo do ex-prefeito e pré-candidato ao governo do Estado, foi sua votação histórica em 2010, quando se elegeu Deputado Federal, com 168.856 votos (representando 8,58% da votação valida da época), número até hoje não superado por nenhum candidato ao mesmo cargo.

Audifax, como poucos candidatos ao Governo do Estado, tem total domínio sob seu partido (Rede), partido que também disputará a preferencia do eleitor mais a esquerda, contudo, o controle do atual prefeito na legenda no Estado, lhe da o conforto de não sofrer nem pressão ou insegurança de intervenção por parte da Nacional, ou de outro correligionário no Espirito Santo que ameace seu projeto.

Caso diferente do atual prefeito de Linhares Guerino Zanon (MDB), outro pré-candidato ao governo, mas que já teve seu nome vetado pelo próprio partido, que tem como liderança maior no Estado, a atual Senadora Rose de Freitas, a quem não guarda muitos amores pelo prefeito linharense.

Mas este é um caso que vamos tratar com mais profundidade em outro artigo.

Cenário

A busca de atenção no momento, se concentra no mercado político, partidos, lideranças políticas, entidades de classe, imprensa e formadores de opinião em geral, pois, para o “grande público” o “eleitor”, esta fase de avaliação das pré-candidaturas, ainda está muito longe da sua realidade e prioridade no momento.

 

Colaboração Instituto de Pesquisa Brand.

Por: Ronaldo Almeida: Jornalista e Consultor Político