Implantação de hortas circulares fortalece agricultura sustentável em MG

Como parte de seu esforço de fortalecer a agricultura sustentável das regiões atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), a Fundação Renova entregou, em julho, as primeiras hortas agroecológicas circulares para produtores rurais integrantes do Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (Pasea) em duas propriedades em Barra Longa.

O formato circular das estruturas possibilita um melhor aproveitamento da luz, da água na irrigação e dos espaços da terra para diversificação do plantio. O Pasea já contemplou mais de 60 famílias do Alto Rio Doce.

O que são hortas circulares?

Esse modelo de hortas funciona como curvas de nível, o que faz com que toda água que cai na horta permaneça dentro dela. Assim, é possível reduzir a erosão em locais com maior declive e, em áreas planas, aproveitar melhor a água da irrigação. Outra vantagem desse sistema é a redução do deslocamento dos trabalhadores.

É possível plantar de tudo nas hortas circulares: hortaliças folhosas, tubérculos, legumes, verduras, grandes culturas e até frutíferas. As cercas das hortas são aproveitadas para plantio de maracujá e de feijão guandu. Já o centro é reservado para galinheiros, tanques de peixes ou espiral de ervas aromáticas, medicinais ou condimentos.

A escolha do que colocar no centro da horta depende da disponibilidade de área, de água e do interesse do produtor. Em um mês, uma horta média consegue produzir alimentos suficientes para alimentar uma família de cinco pessoas.

A expectativa é que esse tipo de horta seja modelo das ações para a sociedade e que os agricultores contemplados sejam multiplicadores da iniciativa.

A diversificação produtiva e a conformação de agroecossistemas sustentáveis permitem maior agregação de valor e, consequentemente, incremento da renda dos agricultores. Tudo isso constitui um elemento importante para a estratégia de desenvolvimento rural nos municípios atingidos e na retomada das atividades agropecuárias.

Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental

As duas hortas agroecológicas circulares integram uma ação maior dentro do Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (Pasea), que prevê a execução de 133 estruturas de hortas e/ou pomares – modelo convencional – ainda em 2021. Juntas, essas estruturas vão contemplar cerca de 80 famílias de produtores rurais do Alto Rio Doce.

Até o momento, 63 famílias já foram contempladas com pelo menos uma das 109 estruturas finalizadas, sendo 49 hortas e 60 pomares, todas convencionais, nos municípios de Mariana, Barra Longa, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova.

Desenvolvido em conjunto com os produtores rurais do Alto Rio Doce, o Pasea propõe melhorias na produção e na integração entre o meio ambiente e o meio rural. Abrange a reestruturação produtiva, hortas, pomares, infraestruturas rurais, Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e restauração florestal das Áreas de Preservação Permanente (APPs).

As ações são feitas de acordo com as características de cada propriedade diretamente impactada pelos rejeitos da barragem de Fundão. A implantação das hortas e pomares conta com a participação e contribuição dos produtores rurais. Eles são envolvidos no projeto, indicando o formato e tamanho das estruturas, local de instalação dentro da propriedade e tipo de espécies vegetais desejado, entre outros pontos.

Ação continuada

Após a implantação, fica a cargo das famílias conduzir a horta ou pomar. Mesmo assim, elas continuam contando com o apoio da Ater por meio de informações técnicas para potencializar a produção, além dos kits com sementes e das ferramentas (enxada, carrinho de mão, foice e bomba de pulverização) para que os produtores rurais tenham condições de dar continuidade ao trabalho.

“A produção excedente do consumo da família pode ser comercializada, por exemplo, nas feiras livres e mercados locais. Ou seja, o programa é avaliado como positivo, uma vez que, em uma pequena área cultivada, proporciona a produção de alimentos frescos e variados suficientes para consumo das famílias e uma possível geração de renda.”