Entrevista: Fabrício Gandini, confirma que deverá concorrer a prefeito de Vitória em 2020

12-08-2019   Redação Imprimir

Em 2008 com apenas 27 anos, ele disputou sua primeira eleição de vereador na Câmara Municipal de Vitória, foi eleito e reeleito mais duas vezes. Chegou a exercer o cargo de Presidente da Câmara. Em 2014, durante seu segundo mandato, foi convidado pelo então Govenador do Estado na época, Renato Casagrande, para compor a chapa de vice-governador, quando Casagrande disputaria e perderia a reeleição.  Em 2016 disputou e se reelegeu vereador para seu terceiro mandato. Em 2018, seguindo uma trajetória de vitórias nas urnas, conseguiu se eleger para seu primeiro mandato de Deputado Estadual com 20.170 votos.

Atento as tendências do mercado e da insatisfação da população com a classe política, após ser eleito Deputado, abriu mão da verba de cota parlamentar, carro oficial, diárias, passagens aéreas e telefone institucional que os parlamentares têm direito.

Hoje, aos 39 anos, graduado em Direito e com a experiência acumulada de três mandatos de vereador, Presidente da Câmara, Secretário de Gestão, Planejamento e Comunicação da Prefeitura de Vitória e agora de Deputado Estadual, Fabrício Gandini, atual Presidente Estadual do Cidadania antigo (PPS), em entrevista exclusiva ao Radar Capixaba, fala da mudança de uma Casa Legislativa para outra e confirma as declarações do atual prefeito de Vitória, Luciano Rezende, que é candidatíssimo a sucedê-lo em 2020.

 

Radar Capixaba: Em 2018 o senhor disputou pela primeira vez e foi eleito Deputado Estadual, mas esse não é seu primeiro cargo no legislativo, existe alguma diferença entre as duas casas?

Fabrício Gandini: Existe sim, principalmente de atribuições, como Deputado Estadual passamos a fiscalizar e legislar sobre temas de maior abrangência. Como vereador nós também legislamos, mas fica reduzido ao município, hoje posso discutir temas relacionados a questões ambientais, segurança, educação e a proteção do idoso num cenário muito maior.

Outro ponto diferente é abrangência territorial, mesmo nosso Estado sendo considerado pequeno temos 78 municípios, e atender todas as demandas que chegam ao nosso gabinete é bem trabalhoso, nós acabamos tendo que escolher uma área de atuação para poder dar mais atenção, do contrário não conseguiríamos dar uma resposta satisfatória a população.

Radar Capixaba: Hoje tem uma pauta principal que o senhor está mais focado?

Fabrício Gandini: Tenho trabalhado muito na questão ambiental, no saneamento, tratamento do esgoto, poluição atmosférica, que hoje, devido à grande quantidade de indústrias que a grande Vitória tem, é onde a população acaba sofrendo de forma mais impactante essa situação, principalmente na questão do Pó Preto. Mas também estou atendendo a questão da defesa do idoso, nossa sociedade está envelhecendo e precisamos de políticas públicas que deem atenção a esse tema.

Radar Capixaba: O senhor faz parte dos 50% de renovação que aconteceu na Assembleia Legislativa, bem como da grande mudança que aconteceu no parlamento brasileiro. Em sua opinião, por que houve tanta mudança na política?

Fabrício Gandini: Nos últimos anos a política e os políticos, passaram por um período de grande exposição. Casos de corrupção que foi instalado nos poderes de uma forma geral criaram uma grande insatisfação por parte da população. O Eleitor de hoje, mesmo não acompanhando os mandatos políticos no seu dia a dia, estão mais exigentes e menos tolerantes com casos de corrupção e desvios de conduta.

Essa insatisfação tem um limite, e quando esse limite chega a seu ápice acontece uma ruptura com o que está posto, então a população quando chega a esse limite de tempos em tempos resolve mudar e foi isso o que aconteceu.

Radar Capixaba: O senhor acha que essa mudança é o que vai mudar o cenário atual?

Fabrício Gandini: A população estava insatisfeita e queria mudar, percebi que no senado, na câmara federal, na assembleia legislativa e no executivo, a vontade era de tirar quem estava lá, mas essa renovação não significa que vai resolver todos os problemas, muitas vezes os eleitos são parecidos ou piores do que os que foram trocados.

Mas vejo com otimismo essas mudanças, temos que estar atentos ao sentimento da sociedade, ela com certeza está mais atenta a classe política.

Radar Capixaba: Hoje vemos muitos políticos novos em seu primeiro mandato, mas de uma forma geral o que percebemos é um grande desinteresse por parte dos jovens na política, como mudar isso?

Fabrício Gandini: Esse é um exercício que os partidos têm que fazer, a estrutura partidária em nosso país infelizmente afasta os jovens. Nós percebemos que os jovens são muito utilizados em períodos eleitorais, mas depois não conseguem espaço para serem incluídos na política.

Nós vemos que nos partidos a maioria dos presidentes são caciques que ocupam os cargos há décadas, isso é ruim para a renovação e afasta os jovens.

Mas acredito que já demos um primeiro passo para essa valorização do jovem, e foi o fim das coligações, essa em minha opinião, foi a grande reforma política que aconteceu até agora.

Em 2020 vamos testar pela primeira vez esse sistema sem coligação entre os partidos, então os presidentes partidários terão que ir atrás de candidatos, terão que fazer suas bases e isto esta inserido em buscar jovens, filiar mulheres e abrir espaço para inserir esses novos quadros na esfera política, o primeiro passo já foi dado agora é nós, junto com a população, ficarmos atentos para não deixarmos isso retroceder. 

Radar Capixaba: Falando em 2020, quais são os planos do Cidadania para as eleições municipais no Estado?

Fabrício Gandini: Estamos trabalhando nossas bases para lançarmos pelo menos 30 candidatos a prefeito além das chapas de vereadores, estamos trabalhando forte nesta questão.

Estamos incentivando e buscando jovens que queiram disputar as eleições em todo o Estado, não adianta ficar só no discurso que o jovem tem que se interessar pela política e na hora da eleição ele não ter garantia que vai disputar, o jovem tem que ter espaço para realmente fazer parte da política.

Radar Capixaba: O prefeito de Vitória Luciano Rezende, está em seu segundo mandato consecutivo e não poderá disputar a reeleição, ele já declarou que o senhor é o candidato dele para prefeito em 2020, o senhor confirma isso?

Fabrício Gandini: Estamos trabalhando para isso, temos conversado muito com outros partidos para construir esse projeto, para construir uma coalizão que possa atender as expectativas do eleitor da capital. Mas em conversas internas com nossas lideranças e pela declaração do prefeito Luciano Rezende, hoje meu nome é consenso dentro do Cidadania para concorrer em 2020.

Radar Capixaba: O PPS, hoje Cidadania, sempre foi o fiel da balança no Estado do PSB, partido do Governador Casagrande, que hoje também tem nomes indicados para disputar a prefeitura de Vitória. Então com sua fala podemos presumir que o Cidadania e PSB, podem estar em palanques opostos em 2020?

Fabrício Gandini: Pelo menos em Vitória não descarto esta possibilidade, estamos caminhando juntos desde 2012 quando o PSB apoiou a primeira eleição do Luciano, mas hoje temos projetos que podem seguir caminhos diferentes. Estou trabalhando para permanecermos juntos, mas caso isso não ocorra e o PSB entender que tem que lançar candidato a prefeito em Vitória vamos respeitar a decisão.

Mas sabemos que em Vitória a eleição é de dois turnos, podemos estar separados no primeiro e avaliar a possibilidade de estarmos juntos no segundo. Mas até o fim vou trabalhar para caminharmos juntos. Mas acredito que hoje o foco tem que ser de construir um plano para a cidade, acredito que hoje essa seja a grande disputa, do melhor projeto para Vitória, e lá no final com pesquisas e números para embasarem nossas decisões, vamos conversar com os demais partidos para fazermos a melhor escolha.

Radar Capixaba: Com sua experiência de três mandatos de vereador, qual é o perfil do candidato a prefeito de Vitória que o eleitor busca?

Fabrício Gandini: O eleitor de Vitória é um eleitor muito exigente, basta olhar para os últimos nomes que administraram a cidade, Paulo Hartung, Luiz Paulo, João Coser e Luciano Rezende, são todos políticos com muita bagagem e experiência na gestão pública, são pessoas que se prepararam para atender as exigências de eleitor.

O eleitor de Vitória não aceita retrocesso. Hoje vemos que Vitória está na lista da terceira capital mais segura do país com números de 2017, isso foi no auge da paralisação da polícia militar, tenho certeza que com os números de 2018 e os de 2019 Vitória ficaria em primeiro.

Quando Luciano assumiu o mandato tínhamos uma média de 33 assassinatos para cada 100 mil habitantes, hoje esse número caiu para 11 assassinatos para 100 mil habitantes.

Vitória tem 70% do esgoto tratado, mas a população cobra 100% e é uma cobrança diária e acho que isto está certo. Então o eleitor de Vitória, pelo histórico que temos,  costuma eleger prefeitos com capacidade técnica, capacidade de gestão e não aceita retrocesso e nem perdoa quem esteja envolvido em casos de corrupção, como foi o caso do ex-prefeito João Coser (PT).

Mas é esse nível alto de cobrança da população de Vitória que transforma a cidade numa cidade cada vez melhor.

Radar Capixaba: O senhor sucedeu Luciano Rezende na presidência do partido em 2017, hoje está articulando o partido para as eleições municipais de 2020, o Luciano nunca foi muito presente nas articulações partidárias, ele vai participar das eleições de 2020 fora de Vitória?

Fabrício Gandini: Devido ao trabalho dele e como disse a grande exigência do eleitor de Vitória à demanda do prefeito Luciano é muito grande, vejo que ele está focado na gestão.

Nas últimas eleições conseguimos eleger o Deputado Federal Da Vitória e o Senador Marcos Do Val, com esses dois nomes nossa capilaridade no interior cresceu muito, principalmente com o Da Vitória que vem fazendo um trabalho muito forte de atração de novas lideranças, mas o Luciano está participando das conversas com nossos candidatos a prefeito, geralmente eles se deslocam até Vitória e fazemos a conversa junto com o Luciano, mas acredito que no próximo ano ele vai estar mais presente nas cidades do interior.

Radar Capixaba: O senhor que acompanha de perto os trabalhos do governador Casagrande, qual sua avaliação dos primeiros meses de gestão dele?

Fabrício Gandini: Eu acho que ele tem acertado neste primeiro momento, ele está preparando as bases para depois dar velocidade às obras. Mesmo hoje ele estando amarrado ao orçamento do governo anterior ele não parou obras, está trabalhando com a pauta da mobilidade e saneamento, tanto da Grande Vitória, quanto do interior e isso é muito importante, ao final desse ciclo de obras dessas importantes áreas podemos focar em outras, como o turismo, atração de empresas e educação. Precisamos consolidar a entrada de Cariacica no saneamento, com isso vamos ter 2 milhões de pessoas com esgoto tratado.

Outra conquista importante foi o Fundo Soberano que será muito importante a longo prazo. Temos também o projeto para investimento do gás que é outra pauta importante para o Estado, faço uma avaliação otimista deste início de governo do Renato.

Radar Capixaba: Considerações finais.

Fabrício Gandini: Estou muito satisfeito com meu mandato, hoje posso trabalhar para ajudar um maior número de pessoas, temos muito para fazer ainda, vamos ajudar o governador Casagrande a recuperar a credibilidade da instituição da polícia militar que ficou desgastada após a crise de 2017, acho que hoje esse seja o principal desafio do Governo.

Temos que consolidar a queda no número de homicídios do Espirito Santo, já houve uma queda a nível nacional, mas a sensação de insegurança ainda é muito grande, mas o governador está trabalhando forte essa questão, inaugurando Delegacia da Mulher, entregando viaturas, é esse o caminho.

Também estamos atentos à política nacional, apesar de declarações polêmicas do presidente, estamos torcendo para ver a reforma da previdência e a reforma tributária aprovadas. Torço para o Brasil dar certo, torço para economia acertar e nos tirar dessa crise que estamos passando, vou dar minha contribuição da melhor forma possível.