Entrevista com segundo colocado nas eleições para Governo do Estado em 2018, Carlos Manato

28-06-2019   Ronaldo Almeida Imprimir

São 10hs e na antessala do escritório localizado ao lado da Assembleia Legislativa, tem mais de 15 pessoas aguardando atendimento, como o primeiro cômodo é pequeno alguns esperam em pé nos corredores.


Ao nos receber, o atual Presidente Estadual do (PSL) no Espírito Santo, Carlos Manato se desculpa pelo atraso e confirma que a cada vez que abre a agenda para atendimento, é sempre assim, principalmente agora com as articulações aceleradas entre os partidos que se preparam para as eleições de 2020.


Em 2018, exercendo seu segundo mandato de deputado federal, ele sempre figurou nas listas dos possíveis reeleitos, ou no mínimo entre os dez nomes que seriam conduzidos para Câmara Federal, e este era exatamente seu plano. Mas como ele explicou na entrevista a seguir, tudo mudou de um dia para o outro “por livre e espontânea pressão”.


Também perguntamos se ele será candidato em 2020, e por que foi exonerado pelo Ministro da Casa Civil, Onyx Lorezoni , da Secretaria Especial para a Câmara da Casa Civil.



Radar Capixaba: Em 2018 o nome do senhor sempre aparecia nas listas dos prováveis reeleitos para Câmara Federal, na reta final o senhor desistiu e disputou ao Governo do Estado, o que o motivou para tomar essa decisão?


Manato: Nós tínhamos algumas pesquisas de consumo interno que apontavam três favoritos para Câmara Federal, Amaro Neto (PRB), em primeiro e em segundo apareciam empatados, eu com Vidigal (PDT). Isso já no final de julho antes de surgir o fenômeno Rigone (Felipe Rigone -PSB, que foi eleito deputado federal, sendo o segundo mais votado do Estado com 84.405 votos), o fenômeno Rigone, só surgiu a dez dias das eleições.


Dentro deste cenário, eu teria uma reeleição tranquila, já tínhamos feito o planejamento do nosso material de campanha, lançado como pré-candidato ao governo o Foresti, (Tenente-coronel Carlos Alberto Foresti), então estava tudo tranquilo.

 

Radar Capixaba: E como tudo isso mudou de uma hora para outra?


Manato: Chega o dia 31 de julho e nós estávamos com dificuldade de coligação, aí convidei a minha esposa Dra. Soraia, para ser candidata também à deputada federal para ajudar na legenda, íamos ser eu e ela candidatos, ela com previsão de ter dez mil votos.


Eu falei com ela, “pode ficar tranquila que nós vamos pedir nossos amigos da classe médica, todos os nossos amigos para ajudar você, vamos colocar uma estrutura para te dar suporte e eu vou correr o Estado atrás dos meus votos, fica tranquila que no final, tudo vai dar certo”.


O tempo passou, aí no dia 03 de agosto, numa sexta-feira à noite, implode o bloco do (PSD) e (PRB) com a Rose de Freitas (MDB), aí fizemos contato com o Roberto Carneiro, (Presidente Estadual do (PRB), e com o Dr. Jorge Silva do Solidariedade a noite e marcamos para o outro dia uma reunião às 13hs com esse três partidos, que acabavam de sair da base da candidatura da Rose, que também disputava o Governo Estadual.


Já tínhamos uma conversa avançada com o (PR) e com o (PSC), agora com a entrada do (PRB), Solidariedade e (PSL), juntando todo mundo, nós elegeríamos três com folga e com possibilidade de fazer o quarto.


Nesta chapa quem aparecia com mais chances eram o Amaro, eu e Lauriete e disputando a quarta vaga vinha o Rodiney Miranda do (PRB), Gilsinho Lopez do (PR) e Jorge Silva do Solidariedade.


Acontece que na hora da reunião o Jorge Silva não aparece, então criou-se o problema, a coligação que estava fechada, que elegeria quatro deputados, agora com a saída do Jorge só elegeria três, e os cotados eram Amaro, eu e Lauriete.


Nessa hora o Gilsinho e o Rodney não aceitaram, aí todo mundo ameaçou a ir embora e o (PSL) corria o risco de ficar sozinho, com apenas 8 segundos de televisão e sem tempo para ajudar o projeto Nacional que era a eleição do presidente Bolsonaro.


Neste momento os dois se juntaram e colocaram uma condicionante para permanecerem no grupo. Eles falaram, “Nós só vamos ficar aqui se você vier candidato a governador”.

 

Radar Capixaba: Quem impôs essa condição e como o senhor reagiu?


Manato: O PR e o PRB, basicamente o Gilsinho e o Rodney, quer dizer, naquele momento eu pensei, “perdi meu mandato”. Sem tempo de televisão, sem dinheiro, sem estratégia, sem estrutura vou disputar com um cara (Renato Casagrande), que esta com quase 70% dos votos válidos?


Usei todos os argumentos para tentar sair daquela situação, mas um aperta daqui, outro aperta dali, me colocaram contra a parede, não teve jeito ou eu aceitava ou todo mundo ia embora, então eu tive que aceitar por livre e espontânea pressão.


Radar Capixaba: Eles fizeram essa imposição e o senhor impôs alguma coisa para aceitar?


Manato: Só pedi uma coisa, falei, resolvi encarar, mas minha esposa será candidata a Deputada Federal, aí eles falaram “pode botar, é até bom que vai completar nossa legenda”.


Nessa hora eu decidi, já que eles tiraram meu mandato, eu agora vou pra cima e vou eleger minha mulher e vou tirar o mandato desses dois que tiraram o meu, e foi isso que eu fiz, lancei minha esposa, ela se elegeu Deputada Federal e os dois perderam, foi dito e feito.

 

Radar Capixaba: Então essa história que o senhor saiu candidato ao Governo para atender pedido do (PSL) Nacional nunca existiu?


Manato: Não, nunca houve este pedido por parte do Bolsonaro como muitos falaram na época e nem por parte do (PSL), se eu fala-se isso estaria cometendo uma injustiça com o partido.


Radar Capixaba: O senhor disputou uma campanha para Governo do Estado inventada em cima da hora, no decorrer da campanha seu nome aparecia em terceiro e terminou em segundo colocado, o resultado o surpreendeu?


Manato: Durante a campanha para governador, nós não contávamos com dois fenômenos, a primeira foi à facada do Bolsonaro, ele teria duas agendas aqui no Estado durante a campanha e não pode vir, mas aquilo causou uma comoção muito grande na população e de uma forma ou de outra favoreceu quem era candidato do (PSL). A outra foi a Rose de Freitas abandonar a candidatura no meio da eleição.


Ela que iniciou a campanha com 13% caiu para 5%, eu comecei com 5% nos últimos dias aparecia com 14% e terminei com 27% dos votos. Esses fatos acabaram por favorecer o Renato Casagrande, que acabou ganhando no primeiro turno com 55,49% dos votos, se a Rose não tivesse desistido, e mantivesse pelo menos uns 11% e a eleição tivesse ido para o segundo turno, eu tenho certeza que hoje eu seria o Governador do Estado.


Radar Capixaba: De onde vem tanta certeza que o resultado poderia ser outro?


Manato: O Bolsonaro aparecia no Estado com mais de 60% de intenções de votos, acredito que os eleitores atrelariam minha campanha na dele. No segundo turno seriam dez minutos para cada candidato na televisão e no rádio, também acredito que o partido mandaria mais recursos para minha campanha, então mudava tudo e eu acredito que isso iria me favorecer.


Radar Capixaba: Mesmo assim, no final, o resultado para o (PSL) no Estado foi positivo.


Manato: O (PSL) tinha acabado de ser lançado no Estado, elegeu uma Deputada Federal e quatro Deputados Estaduais, então foi muito positivo.


Na nossa avaliação, sozinho, o (PSL) elegeria três deputados, coligando, elegeria quatro e foi isso que deu, hoje somos a maior bancada Estadual na Assembleia.


Radar Capixaba: Hoje no Estado o senhor é o político com maior proximidade do Presidente Jair Bolsonaro, mas isso não impediu do senhor ser exonerado do cargo que ocupava na Casa Civil: Afinal o que aconteceu?


Manato: Quando fui convidado para assumir o cargo de articulação na Diretoria da Casa Civil, fui convidado pessoalmente pelo Presidente Bolsonaro. Depois que ele nomeou os Ministros, ele reuniu toda a equipe e falou que de agora em diante, tanto as nomeações quanto as exonerações seriam de responsabilidade dos Ministros.

 

Para reforçar isso, o presidente falou, até se um filho dele estivesse ocupando um cargo em algum Ministério e o Ministro pedisse a exoneração, ele seria atendido imediatamente e foi isso o que aconteceu comigo, o Onyx Lorenzoni queria colocar alguém da indicação dele e me exonerou.


Radar Capixaba: Então o senhor não foi exonerado pelo Presidente?


Manato:
Nada disso, o presidente ficou sabendo da minha exoneração pela imprensa no outro dia.


Radar Capixaba: O senhor procurou o Presidente para conversar com ele sobre o assunto?


Manato: Não, na mesma semana que eu fui exonerado pelo Onyx, o General Santos Cruz foi exonerado pelo Bolsonaro (General Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido da Secretaria de Governo da Presidência da República).

 

Teve esse problema das mensagens do Sérgio Moro, tem a aprovação da previdência, então eu não ia levar mais esse problema para o presidente, vou esperar as coisas acalmarem para depois conversar com ele e dar a minha versão da história.


Radar Capixaba: Mudando de assunto, em 2020 qual é a meta do (PSL) no Estado para as eleições municipais?


Manato: Estamos andando o Estado todo e preparando o partido para disputar com legenda completa de vereador nos 78 municípios. Na majoritária, nosso planejamento é disputar 40 prefeituras e eleger no mínimo 15 prefeitos.


Radar Capixaba: O senhor pode adiantar alguns nomes?


Manato: Hoje já temos 20 candidaturas a prefeito confirmadas. Em Cariacica nosso candidato será o Subtende Assis, que obteve 247 mil votos para senador. Em Vila Velha vamos disputar com Deputado Estadual Danilo Bahiense.

 

Em Vitória como depende de uma coesão maior, estamos trabalhando para viabilizar o nome do Deputado Tourino Marques, mas no caso de Vitória temos uma exceção, fizemos um convite para o Deputado Lorenzo Pazoline, se ele nos der o prazer de vir para o (PSL), já em acordo com o Tourino, ele ser á nosso candidato a prefeito de Vitória. Na Serra estamos trabalhando um nome, mas vamos ter candidatura própria lá.


Radar Capixaba: O senhor será candidato a prefeito?


Manato: Não, eu não vou disputar, quero fortalecer o (PSL), eleger o maior número de vereadores, vice-prefeitos e prefeitos que conseguirmos e vamos fortalecer o partido para as eleições de 2022, aí sim vou me preparar para disputar algum cargo nas eleições.