Ex-servidora da Serra pede proteção após entregar esquema de corrupção na CPI da Saúde

09-04-2019   Redação Imprimir

Em abril de 2017, Elaine Nascimento dos Santos, era funcionaria comissionada da prefeitura da Serra, e apontou irregularidades na área de saúde do município. Após levar aos seus superiores às irregularidades, e ser ignorada pelos mesmos, ela resolveu procurar outros meios de sanar os vários problemas relatados por ela, inclusive com documentos.

“Comecei a levantar os problemas, porque os serviços prestados nas unidades de pronto atendimento [UPAs] comprometem a segurança e a vida das pessoas”, afirma Elaine, ressaltando que conseguiu fazer um diagnóstico do setor, que serviu de base para que os vereadores criassem a CPI. 

Ela explica que as denúncias, que também foram levadas ao Ministério Público, geraram a formação de auditoria interna, desconstruída pelo prefeito antes de começar a atuar. “Toda essa movimentação me valeu a exoneração, em novembro de 2017”, acrescenta a ex-servidora, que aponta várias irregularidades no setor. 

Na ultima sexta-feira (5), após prestar depoimento na CPI da Câmara dos vereadores da Serra, ela conta que dirigiu-se à delegacia de Laranjeiras, onde formalizou pedido de proteção policial, e em seguida foi ao Núcleo de Repressão ao Crime Organizado e à Corrupção (Nuroc) e à Secretaria de Segurança Pública, onde ouviu a frase: “Muito cuidado, porque pode parecer que é ato político”. 

Apadrinhados políticos

Ela destaca o preenchimento de cargos técnicos por apadrinhados políticos sem qualificação profissional, contratos mal elaborados de forma a favorecer fornecedores, agenda de plantões sem controle, inclusive de médicos, e escala de emergências e instalações sem manutenção adequada, que colocam a população em risco.

“Não estou fazendo o jogo do vereador nenhum; estou gritando porque todos precisam ouvir”, desabafa Elaine. Ela critica a demora da Justiça, que retarda a decisão sobre irregularidades sinalizadas por uma inspeção sanitária do Ministério da Saúde constatando deficiências no atendimento. 

Medo de sofrer algum atentado

Elaine revela: “Sei dos riscos que estou correndo, porque denunciei 18 empresas, pagamento de propina e empregos ilícitos, mas as minhas declarações estão pautadas em documentos, áudios e contratos”. 

“Estou muito temerosa; também, denunciei nada menos do que 18 empresas e muita bandalheira. Mas vou seguir em frente”, desabafa, ao relatar com exclusividade a Século Diário, por telefone, a peregrinação por órgãos de segurança do Estado, sexta-feira passada (5), depois de concluir seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instaurada neste ano na Câmara de Vereadores, a seu pedido, suspensa no mesmo dia pela juíza Telmelita Gonçalves Alves. 

“Está tudo lá, documentado, agora é só investigar”, diz Eliane, que se tornou valiosa fonte de informação, segundo ela com farta comprovação, da crise instaurada entre o legislativo e o prefeito do município, Audifax Barcelos (Rede).

Ele respondeu às investigações abertas pelos vereadores com denúncia da existência de uma organização criminosa na Câmara, motivo de processo de calúnia e difamação por parte de 16 vereadores. 

Crise após projeto de R$ 2,5 bilhões ser barrado na Câmara

A crise entre os dois poderes no município com o maior colégio eleitoral do Estado vem desde 2017, inicialmente com denúncias de Elaine relacionadas à área da saúde.

A situação agravou-se com divergências sobre a implantação de um projeto de Audifax visando uma Parceria Público-Privada (PPP), no valor de R$ 2,5 bilhões, para realização de manejo de resíduos sólidos. 

Além da CPI da Saúde, a crise entre a câmara e a prefeitura agravou-se com as divergências em torno da aprovação da PPP. Quarta-feira passada (3), veto do prefeito barrando a interferência dos vereadores no projeto foi derrubado.

A partir de então, todas as concessões da PPP terão que passar pelo crivo do legislativo, por meio de alterações na Lei Municipal 4.641, de 22 de maio de 2017, que estabelece as PPPs na cidade. 

A PPP do Lixo foi votada na Câmara em 2017, mas, posteriormente, os vereadores entenderam que o projeto deveria ser analisado, a fim de que as finanças municipais não fossem prejudicadas em decorrência de um aumento de R$ 26 milhões no custo inicial.

As denuncias que estão vindo a publico, demonstra a crise instalada entre os poderes do mais populoso município do Espírito Santo e  mexe diretamente com os projetos futuros do prefeito da Serra Audifax Barcelos, que é pré-candidato ao governo do estado em 2022.

Fonte: Século Diário