O preço da mudança

20-11-2018   Redação Imprimir

A insatisfação generalizada com a classe política, vem acompanhada de dois incompatíveis comportamentos da sociedade – Primeiro o povo grita, acusa, aponta o dedo, julga, condena e sentencia os políticos por todo desarranjo social, político e econômico do país. 


A falta de saúde, educação, segurança, estradas, esgoto tratado e praias limpas, só não o são por “falta de vontade dos políticos”, de acordo com o pensamento popular.


Os que se dizem informados sobre o tema POLÍTICA, quer os que se interessam por novelas ou reality show, sempre tem uma solução na ponta da língua toda vez que estoura uma crise, ou é descoberto um escândalo de corrupção com algum politico preso.

 

“Tem que trocar todos os Políticos”, “Dá próxima vez não vamos Eleger Ninguém”.

 

Pronto, era só fazer isso e tudo estaria resolvido como num passe de magica.

 

Infelizmente não é tão simples assim. Para tirar os maus políticos do poder e eleger os bons, ou os bens intencionados, dando oportunidade a quem nunca teve, primeiramente a população teria que acompanhar de perto, durante os quatro anos de mandato, quais foram as bandeiras, projetos e posicionamento dos políticos diante das pautas de interesse da sociedade.


Como ele voltou em projetos de leis trabalhista ou ambientais.
Se ele é a favor ou contra o aborto ou legalização da maconha. Como ele se posiciona sobre a flexibilização do porte de arma, entre inúmeros temas que afetam diretamente a vida do cidadão comum.


Mas como sabemos, a aversão da população brasileira principalmente dos jovens que são os que mais se manifestam sobre o desejo de mudança apenas “nas redes sociais”, impedem que as verdadeiras mudanças aconteçam.



Sabendo desse desinteresse de grande parte da população e da repulsa dos jovens pela politica, os políticos profissionais se perpetuam no poder usando a seu favor a desinformação dos eleitores.


Aqui no Estado, aparentemente a participação ativa da população já surtiu efeito nas eleições deste ano, mais de 50% das cadeiras da Assembleia Legislativa foram renovadas, mas com um detalhe, a maioria que não conseguiu se reeleger são políticos de primeiro mandato ou com pouca densidade eleitoral. 



Ou seja, não houve uma mudança verdadeira, o eleitorado se comportou como o previsto, de forma conservadora.

 

Elegendo os medalhões de sempre e alguns novatos que levantaram bandeiras de cunho conservador, alinhadas com o discurso a favor da família, segurança entre outras pautas em voga no momento.


Na Câmara Federal, se notou o mesmo fenômeno, 52% das cadeiras foram renovadas, com reflexo muito grande ha favor dos candidatos de centro-direita, ajustados com o discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro, que percebeu a insatisfação do eleitor com os personagens que se revezavam nas ultimas décadas no comando do país.

 

Embalado por esse sentimento, Bolsonaro viu o seu ex-nanico partido (PSL), sair de 1 para 52 Deputados Federais, se tornando a segunda maior bancada na Câmara Federal, ficando atrás apenas (PT), opositor oficial.


A mudança virá, mas não na velocidade desejada pela população.


Cada mudança demanda sacrifício, neste caso o sacrifício é tirar um tempinho do dia a dia para acompanhar temas de verdadeira importância para nossa sociedade.

 

Há muito tempo atrás um ex-presidente americano disse.

 

A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro.


John F. Kennedy



Ronaldo Almeida – Jornalista e Consultor Político