Condenado por matar a sede do povo

06-12-2017   Redação Imprimir

SERTÃO SECO.

Por aqui só tem verão
a chuva é uma raridade
a água vem de caminhão
nem sempre tem qualidade
e só quem vive no sertão
sabe o que é dificuldade.

Guibson Medeiros

A sentença diz que, “Daniel da Açaí foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por abuso de poder econômico na eleição de 2016. Ele foi acusado de distribuir água e caixas d’água à população do município durante o processo eleitoral do ano passado. Alguns membros do TRE entenderam que a crise hídrica no município forçou essa situação, mas isso não foi suficiente para convencer o restante da Corte.”

Se ele tivesse assaltado um banco e roubado milhões, talvez nem preso seria. Se o caso fosse ter desviado dinheiro das vacinas dos postos de saúde, nem processo responderia.

Em caso de roubo dos salários dos professores, médicos ou garis, o caso se resumiria a um processo na justiça comum, que em pouco tempo prescreveria e seria arquivado.

Mas o seu crime foi apenas o de matar a sede do povo. Esse é o grande crime pelo qual foi condenado o prefeito eleito pelo povo de São Mateus Daniel da Açaí.

Se ele tivesse feito como a maioria dos políticos e empresários do munícipio mateense fizeram, ou seja, ignorar ou explorar a sede, a miséria e o desespero do povo sofrido de São Mateus, ele iria cumprir seu mandato de prefeito sem nenhum aborrecimento pelos próximos três anos, e com muita facilidade poderia se reeleger para administrar o município por mais quatro anos.

Mas ele cometeu a insensatez de ser humano, cometeu o bárbaro crime de querer ajudar um povo que tinha sede.

Foi infeliz ao usar seu dinheiro, empresa e patrimônio para matar a sede do povo que vagava pelas ruas sem rumo e já sem fé.

A fome e a sede não esperam, e o povo com baldes vazios nas mãos, vasilhas na cabeça, crianças chorando no colo, olhavam para o céu e clamavam a Deus que mandasse a chuva para aplacar o sofrimento.

A chuva não veio, mas a sede não foi embora. Então, um homem de bom coração, tendo água de sobra, decidiu dividir com esse povo o liquido sagrado.

O povo ficou feliz, e por gratidão votou nesse homem, o único digno de passagem, que lhes estendeu a mão na hora do desespero.

Ele ganhou, virou prefeito, o povo ficou feliz e satisfeito. Mas os inimigos, os adversários, não acharam graça e não comemoram junto com o povo.

Se juntaram e fizeram a denúncia contra o homem que matou a sede do povo.

Agora, passado menos de um ano de sua posse, a “Justiça Brasileira”, diz que o homem de coração bondoso cometeu um crime e não pode mais ser prefeito.

Ao invés de matar a sede do povo, ele deveria ver o povo passar sede e fazer promessas como todos os outros fizeram.

Como ele não aceitou ficar de braços cruzados foi condenado.

A vontade do povo neste caso não vai ficar nem em primeiro, nem em segundo, nem em plano nenhum.

Esse é o Brasil, onde quem faz o bem é julgado como criminoso, e quem comete o crime e honrado como herói.

Não quero aqui entrar no mérito da sentença do Juiz, ele apenas cumpriu seu dever baseado nas leis que regem nosso país. Mas infelizmente, parece que as nossas leis são feitas para proteger bandidos e ladrões e perseguir pobres, humildes e pessoas de boas intenções.

Em sua defesa ele disse. 'A periferia nunca tem voz e mais uma vez ela foi calada' Daniel da Açaí, (Prefeito eleito pelo povo de São Mateus em 2016)

Ronaldo Almeida – Jornalista