A aprovação dos pais no vestibular

05-02-2017   Redação Imprimir

Você deve estar achando que tem algo de errado neste título.

E tem. E não é na composição da frase. É no sentido e no contexto.

Esta semana, chegando de férias, deparei-me com diversas comemorações referentes à aprovação de muitos jovens em vários vestibulares pelo País. Mas, se o momento é de alegria para a maioria, também é de tristeza para aqueles que tiveram que revelar aos pais que o curso para o qual se inscreveram não era o que estes pretendiam ou sonharam para os filhos. 

E o pior é que muitos, em vez de comemorar essa aprovação, incentivar a que façam um curso de que gostem, simplesmente ignoram a conquista e cobram deles que continuem insistindo na aprovação do curso que eles (os pais) querem. É nesse sentido que me referi à “aprovação dos pais”. É certo que eles sempre desejam o melhor para os filhos, mas existe um limite entre o sonho deles e a realidade dos jovens. Seguir uma profissão com a qual não se tem afinidade, ou levar anos insistindo na aprovação de um curso para agradar aos pais não é nada saudável.

Nessa perspectiva, o melhor seria mudar o contexto da aprovação dos pais “no” vestibular, para a aprovação “do” vestibular, ou seja, que os pais apoiem a escolha dos filhos, que os incentivem a que sejam os melhores profissionais na área escolhida e, acima de tudo, que sejam felizes, pois a profissão não pode estar acima do pessoal, do humano.

A felicidade é a soma do sucesso em vários campos: intelectual, acadêmico, profissional, pessoal, familiar, e não se deve dar excessiva ênfase a apenas um deles, sob o risco de comprometer o todo. Além disso, sempre há a possibilidade de voltar, retornar, recomeçar, seguir outros caminhos, caso a escolha feita não tenha sido bem-sucedida.  

Sandra Bassani - Doutora e Mestre em Letras